Inconsolavel

Para fechar o ciclo. Os ultimos 5 contos (incluindo este) postados aqui são todos interligados, concluo com esse!

Comecei com Tenho Dito e dele tirei inspiração para os proximos.

Tenho Dito/Da Metade para baixo/Na Rotina da Noite/Insonia/Inconsolavel.

Inconsolável

Faz tempo que não me vejo interessada em alguém, depois que ele se foi me sinto tão ranzinza quanto o próprio; tanto me queixei e hoje me sinto na mesma situação.

Existe uma linha muito clara de como eu era antes e como fiquei depois do meu casamento, mas não consigo ver a linha depois do divórcio; como se minha alma tivesse ficado encardida de personalidades que nunca tive.

Absorvi, de certo modo, tudo que ele tinha de pior, hábitos, futilidades e pensamentos sobre o cotidiano; até hoje gosto do whisky e dos fumos, ainda falo mal das pessoas quando estou observando a noite em meu apartamento; ele estava certo sobre as pessoas não merecerem meu respeito; não aquelas pessoas.

Faço-me de simpática, de forte e compreensiva, minha superfície mostra o oposto das minhas essências; tendo ser melhor que ele, no entanto, sou exatamente igual.

Sinto orgulho de ser assim, entretanto, sinto nojo do preço que pago; ser independente de qualquer um e ao mesmo tempo ser arrogante e falsa comigo mesma.

De que me adianta parecer àquela avó boazinha e que todos gostariam de ter, sendo que em casa sozinha sou cheia de vícios; dos piores possíveis.

As flores que ganho ficam secas em seus vasos; quando secas ficam se compatibilizam mais com meu modo de pensar; pensamentos destruídos em ruínas, desgastados, tudo que de bom grado aprendi no meu ultimo e único casamento; um casamento de pecados.

Um olhar diferente ele me proporcionou, algo que é irrecuperável, meus bons sentimentos se foram e minhas esperanças também; junto com minhas boas memórias de felicidade.

Sinto-me cheia de obscuridade e vazia de desejos, minha cabeça pesa de tal modo que não tenho forças e nem coragem para levantá-la; não consigo me relacionar por completa com ninguém e sozinha vivo em angustia; meu coração não bate mais junto com meu jazz; se eu fosse homem denominaria isso de impotência.

Está tarde, só quero tomar meu chá e fumar um cigarro, tentar dormir é pura esperança, faz dias que só tento; minhas olheiras estão piorando e minha tosse cinzenta não está nada agradável; o câncer me pegou desprevenida.

Com um coração quase parado e com um pulmão que pra lá de tempos já está cinza, confesso que ter medo de dormir e nunca mais acordar; não que seja isso a pior das hipóteses, mas continuo com medo.

Todo o dia penso de como eu seria agora, se nunca tivesse me casado com aquele maldito que me fez assim; fria e angustiada; falsa e quase histérica; com mil personalidades diferentes pra cada situação, que uma guilhotina o decapite! Sinto ódio dele e de mim por essa situação, não posso mais com isso! Estou nervosa, não quero mais esse assunto! Não de novo comigo mesma, não! Minha arma, sim! Agora, vamos! Agora! Não vai ter coragem?  Nem pra isso sirvo? Vamos, atire! Tenha coragem, mulher! Prefere essa situação? Vamos! HAHAHAHAH! AGORA!

Fernando Tulim de Melo

26/04/2011

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Nada a declarar no momento.
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